O paradoxo da tolerância

“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada àqueles que são intolerantes e se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, os tolerantes serão destruídos, e a tolerância juntamente com eles.”
~Karl Popper

Este fim de semana, em Charlottesville, juntou-se um magote de neo-nazis, membros do KKK e outros supremacistas brancos – alegadamente em protesto contra a decisão de destruir um monumento a um general sulista da Guerra Civil Americana nesta cidade. Ou, pelo menos, o pretexto era esse. Na verdade o que aconteceu foi tudo menos um protesto e mais uma marcha de orgulho intolerante, em todo o seu nojo e o seu esplendor.

Isto é, nada mais, nada menos,  que o culminar de uma campanha começada pelo actual presidente dos EUA, Donald Trump, que tem vindo a promover o ódio racial e a xenofobia praticamente em cada palavra que profere. Os mexicanos, o Islão, os imigrantes (alegadamente) ilegais, a muralha… Todo um discurso de ódio que colhe não só junto dos ignorantes que decidiram votar Trump (e com isso perderam, por exemplo, o acesso aos seguros de saúde mais baratos promovidos por Obama) mas, mais preocupante ainda, este discurso colhe os movimentos neo nazis, xenófobos, homofóbicos e tudo mais que cabe sob o abrangente chapéu que define a extrema-direita.

Nâo há palavras para definir o nojo que tenho da figura que é Donald Trump. Ignorante, misógino, racista, xenófobo, homofóbico… Não há um único adjectivo positivo para definir este homem pequeníssimo. Que ao mínimo sinal de crítica ou oposição se lança em tiradas no Twitter (tiradas essas que recentemente custaram milhões de dólares em bolsa à Amazon, por exemplo) como se de um adolescente se tratasse.

Sim é preocupante termos este sapo em forma de gente no lugar de homem mais poderoso do mundo (espero que os sapos me relevem a ofensa!).

Mais preocupante ainda é saber que, mais uma vez, a extrema-direita está a usar a liberdade de expressão que a nossa sociedade tolerante lhe concede para promover a intolerância e o ódio e o medo.

NÃO! Fascismo nunca mais. É preciso haver consciência e perceber que que esta gente quer não é defender os nosso valores, como pregam aos quatro ventos, mas antes destruí-los. Nos EUA, na França, na Hungria, no Reino Unido… Os momvimentos de extrema-direita estão a ganhar força e expressão. Em pleno século XXI os valores que defendem não são aceitáveis, são odiosos.

Até em Portugal, numa deriva sem precedentes para o populismo, o principal partido da oposição apoia e defende candidatos com posições e slogans de capanha xenófobos e racistas. Num dos principais eventos do ano, o próprio líder do partido debitou um discurso xenófobo.

Não se deixam enganar. Abram os olhos. E, acima de tudo, lutem.

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