Paris, 13 de Novembro de 2015

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Não sou hipócrita, nem nunca o fui. Se temos que pensar nas vítimas do Daesh, em Paris, temos também que pensar nos milhares, senão milhões, de vítimas da mesma organização terrorista, em todo o mundo árabe (e não só).

Por mais que se queiram convencer a vocês mesmos de que o Islão é todo “assim” – um conjunto de bárbaros, intolerantes, assassinos – lembrem-se que não é bem assim. Há países que levam os ensinamentos do Corão ao extremo, sim, a Arábia Saudita e o Irão são dois exemplos (e nada justifica os abusos cometidos , supostamente, em nome da religião) mas nada é remotamente comparável à monstruosidade de uma organização que, em nome de um suposto califado e de Alá, violenta, mata e tortura milhões de pessoas. Sendo que são os muçulmanos (das diferentes etnias) o primeiro, e preferncial, alvo destes monstros inumanos.

O que estes atentados pretendem é castigar os refugiados (por serem muçulmanos traidores, que fugiram do território do califado), virar a opinião pública europeia contra os refugiados (por serem, na sua vasta maioria, muçulmanos, os menos iluminados – já para não dizer ignorantes – transformam esse facto automaticamente numa, fictícia, associação vitalícia ao Daesh) e, em resultado destes dois factores, conseguir mais recrutas para as fileiras do Daesh.

É hediondo. É resultado do desespero de uma organização que, tal como grande parte das organizações extermistas islâmicas, distorce o Islão e os ensinamentos do Corão da forma que mais se assemelha às suas, supostas, “crenças”, ao mesmo tempo que, passo a passo, vão quebrando toda e qualquer regra que a religião lhes impõe. O Islão é uma religião de paz e respeito pelo próximo e pela diferença – coisa que os extremistas muçulmanos ignoram, alegremente. Impõe regras estritas no que diz respeito, por exemplo, ao consumo de álcool e utilização de drogas – a principal fonte de rendimento de grande parte das organizações extremistas islâmicas é o tráfico de drogas.

Reproduzo aqui uma nota que foi escrita no Facebook, por João Pedro Martins, porque, melhor que ninguém, com factos e fontes, consegue justificar o que quero dizer com este post:

Atentado de Paris: Não vamos servir os interesses do Estado Islâmico.
JOÃO PEDRO MARTINS·SÁBADO, 14 DE NOVEMBRO DE 2015

Caso se confirme que o Estado Islâmico orquestrou este atentado simultâneo em vários pontos da capital francesa, neste momento é preciso reconhecer que os interesses do Estado Islâmico são os seguintes:
1. Estimular o medo entre as populações, razão número um para qualquer ataque terrorista;
2. Estimular um ódio e medo contra os muçulmanos, porque esperam que o aumento de ataques de ódio contra muçulmanos e a redução da hospitalidade europeia irá aumentar o número de potenciais recrutas dispostos a juntar-se ao Estado Islâmico por estarem insatisfeitos com a sua situação e tratamento recebido pela restante população europeia; Fonte
3. Estimular o ódio aos refugiados. O Estado Islâmico já disse que não está satisfeito com a fuga dos refugiados, que são vistos como muçulmanos traidores que não querem viver sob o seu controlo, pessoas que rejeitaram viver na sua comunidade extremista. O Estado Islâmico, como tal, terá um interesse em juntar o útil ao agradável e alimentar um ódio anti-refugiados, pela mesma razão do ponto anterior e como castigo pela fuga da Síria;
4. Querem travar a fuga de pessoas da Síria porque ela prejudica as finanças do Estado Islâmico, uma vez que ficam com menos pessoas para escravizar e explorar devido à drástica redução demográfica (redução da população). Com efeito, se conseguirem aumentar a dificuldade com que a Europa aceita refugiados, o Estado Islâmico obtém outro dos seus objectivos. O Estado Islâmico tem vindo a interceptar e a matar centenas ou mesmo milhares de pessoas que são apanhadas a tentar fugir da Síria;
Fonte 1; Fonte 2
Posto isto, convém lembrar que, usando a navalha de occam, é idiota e completamente desnecessário culpar os refugiados (que fogem dos extremistas), não só porque isso é o que o Estado Islâmico deseja, mas também porque é ilógico: a rota de refugiados é extremamente degradante, difícil, e muitos deles morrem a caminho da Europa, afogados no mar mediterrâneo, implica dormir ao relento, com pouco mais que as roupas que têm no corpo, com os filhos ao colo, etc. Há outras formas de lançar ataques terroristas que não exigem todas essas dificuldades acrescidas, completamente desnecessárias. Tanto assim é que os anteriores terroristas até ao momento não eram refugiados, nunca precisaram de ser e os factos são claros que a rota de jihadistas tem sido a inversa: os recrutas Europeus é que vão para a Síria combater ou lançam ataques em solo europeu, não o inverso. Fonte
Para finalizar: lembro ainda que cair como patinhos/as em leituras superficiais e emocionaiss como estas estaríamos não só a ajudar o Estado Islâmico como também a alimentar os discursos da extrema-direita. É uma terrível falha a todos os níveis, com tudo a perder.
Recomendo ainda a seguinte nota, onde é feita uma desconstrução de vários argumentos anti-refugiados.
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