Gone Girl – Opiniões

Acabei, agora mesmo, de ver este filme do ano passado, do grande David Fincher – autor de “coisinhas” como Se7en, Fight Club ou Social Network entre muitos outros – e fiquei abismado. Com esta peça genial de cinema, Fincher afirmou-se ainda mais como um dos melhores realizadores de sempre, certamente será um dos melhores da sua geração.

O que nos parece ser um simples thriller policial sobre o desaparecimento e presumível assassinato da mulher de um escritor transforma-se completamente. E, a partir de certo momento, tudo o que estávamos a ver, e a assumir como garantido, fica de pernas para o ar. Com revelações bombásticas e totalmente inesperadas, do género que só temos quando apenas ouvimos um lado da história.

E Gone Girl é sobre isso mesmo. O perigo de só ouvirmos, só termos acesso, a um dos lados da história. A facilidade como que a nossa opinião e percepção das coisas podem ser manipuladas – hoje em dia ainda mais perigoso se torna com a facilidade que a informação circula, o facilitismo com que a mesma é publicada, muitas vezes sem confirmações, e, mais perigoso ainda, o facilitismo, e falta de espírito crítico, com que nós a consumimos.

Também é um estudo, acutilante e preciso, sobre as pessoas e as relações entre elas. Como, hoje em dia mais do nunca, nem todas são o que aparentam. É um aviso sobre as relações que costumamos designar como “à filme” – em que tudo é perfeito (mas só nas aparências, se dermos uma olhadela “por baixo do capot” vemos que as coisas não são bem assim). As pessoas, mesmo as boas pessoas, têm sempre algo a esconder e nunca devemos entregar-nos de alma e coração e revelar tudo e mais alguma coisa sobre nós a alguém – especialmente a alguém que não seja, pelo menos remotamente, parecido connosco. Pior ainda se acharmos que a dita pessoa é “boa de mais para ser verdade” – normalmente, isso quer dizer que não é verdade, ninguém é assim. Por último, revela que o ser humano, no seu estado actual, fará tudo e mais alguma coisa pela quantia certa de dinheiro.

É espantoso o trabalho de Fincher (e da autora do romance que deu origem ao filme). A forma como é capaz de revelar (e/ou ocultar) as pistas certas no momento certo – muitas vezes como meros “fait-divers” no decorrer da cena em que são reveladas, mas que mais tarde nos vimos a aperceber que têm um significado gigantesco para a história que nos está a ser contada. É magistral a forma como este filme, mesmo sem ter um final propriamente dito, tem tantas voltas e reviravoltas e como, sem nunca perder o norte, se torna, não no thriller policial que pensávamos que íamos ver ao início, mas num filme de suspense.

Genial.

Notas ainda para o trabalho de Rosamund Pike (nunca dei muita importência a esta senhora, mas depois desta actuação vou estar atento), Ben Affleck (que se sai bem no papel de marido bronco… Ainda não me convenceu, mesmo depois de Argo) e para a banda sonora, co-autoria de Trent Reznor (que dispensa apresentações).

De 0 a 5. dou-lhe um 10,5. Grande, grande filme.

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5 opiniões sobre “Gone Girl – Opiniões”

  1. Detestei este filme. Do inicio ao doloroso fim (custou-me acabar de o ver).
    Não gosto do Affleck (nunca gostei das performances dele) e esta atriz irritou-me solenemente, o tom de voz dela parecia que estava a ser “dublada”.
    Achei todo o filme, composição, realização, fotografia horroroso. 😄 acho que este faz parte daqueles filmes que ou se ama ou se odeia e eu odiei!

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