Ser

Ser. Ser é o que fazemos todos os dias.

Todos os dias somos: mais uma pessoa no comboio, no autocarro, no metro, no trânsito, na rua, no emprego, na escola, em casa. Todos os dias somos, todos os dias existimos. Desde o momento em que toca um despertador até ao momento em que fechamos os olhos, à noite.

Mas será isto “ser”? Não. É, apenas, existir.

Estamos por cá para viver. Não apenas para existir.

Ser é sentir o arrepio na pele quando ouvimos “aquela” música.
Ser é respirar, bem fundo, a maresia.
Ser é ler um livro e, nele, viver outras vidas e outros mundos.
Ser é pensar e sentir.

Cheguei à conclusão que, ultimamente, tenho existido e tenho vivido. Não tenho “sido”.

Fechei-me (ou refugiei-me?) numa prisão, imaterial, sem grades, paredes, chão ou tecto. Da qual, para fugir, bastaria dar um passo em frente, abrir os olhos.

Tenho vivido em função de mim próprio, com poucas excepções. Porque viver a vida, em função de outros, a quem entreguei alma e coração – para não dizer essência – me arrasou, me deixou desconfiado, triste, dormente  e embrutecido.

Fechei-me, nesta prisão, casulo, ermida, refúgio – chamem-lhe o que quiserem – para não me voltar a perder de mim mesmo e do que me parecia importante.

Pois. Mas há raios de luz. Coisas que caem, assim, do céu. Quebram as grades e as paredes, invisíveis e imateriais. E nos mostram que o mundo não somos só nós e a meia dúzia de pessoas ou coisas a quem, por serem fundamentais, nos agarramos.

Há mais. O Mundo é grande. Há sempre mais qualquer coisa que vale a pena descobrir, sentir, saborear, viver.

E, na maior parte dos casos, cai lá de cima e, qual relâmpago, fulmina-nos, tira-nos da “cela”, obriga-nos a deixar apenas de sobreviver e existir.

E mostra-nos que há razões para viver e ser – arriscar.

O medo, a insegurança, a tristeza do passado que me tolhia está a dar caminho a coragem, esperança, vontade.

Que raio… O que é a Vida senão a vivermos?! Perde qualquer propósito. E passar a ser apenas existência, sobrevivência, rotina…

Abrir as portas e arriscar. Vamos lá a isso!

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2 opiniões sobre “Ser”

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