Big Eyes – Opiniões

Big Eyes, o mais recente de Tim Burton, aborda a maior fraude artística da história: a artista Margaret Keane – que no final de década de 50, de forma absolutamente inédita para a época, pegou na filha e deixou o marido ultra-protector e sufocante – muda-se para São Francisco onde conhece, e acaba por se casar com Walter Keane. Ambos artistas “amadores”, ela pintando exclusivamente quadros de crianças com olhos exageradamente grandes. Ele pintando cenas de rua de Paris, onde terá vivido e estudado durante um período alargado de tempo.

Depois do casamento, Walter usurpa os direitos intelectuais da arte de Margaret, e, sob a ameaça de perder tudo o que têm (incluíndo o sustento para a filha de Margaret, Jane), vai-se imiscuindo no mundo artístico de São Francisco – doando quadros a celebridades, expondo em bares famosos e usando a sede de protagonismo de um jornalista de mexericos, com uma coluna no San Francisco Examiner.

Acaba por conseguir abrir uma galeria, em nome próprio, e fica fabulosamente rico e famoso, vendendo, não só os quadros da mulher, como também infinitas reproduções dos mesmos – chegando a acusar Andy Warhol (que, famosamente, enveredou pelo mesmo método) de lhe roubar o estilo.

Em 1964, ao tentar doar um quadro à UNICEF na Exposição Mundial de Nova Iorque, é exposto como uma amador e produtor de arte em massa por um crítico no New York Times, o que o leva a uma explosão de raiva à frente de uma multidão de ricos e famosos e a ameaçar Margaret de morte. É aí que ela, fugindo com a filha para o Havai, vai expor o marido pela fraude que é.

É um filme maravilhoso, fora do estilo para o realizador, Tim Burton (conhecido pelo tom negro da filomgrafia) a quem só vi este estilo colorido de contar a “estória” no filme Grande Peixe, em que o espectador se apercebe, desde o início, do que se passar naquela relação – em que Margaret é uma artista talentosa, com algumas arestas por limar, e Walter é um aldrabão de primeira (ou não fosse vendedor profissional).

O filme absorve-nos e mostra-nos a profundidade da desonestidade e ganância de muito ser humano “versus” o desejo de proteger a cuidar de muitos outros. E que, quando justapostas, estas emoções (diametralmente opostas) podem resultar em cenários completamente descontrolados, para ambos os lados – i. e. Walter queria enriquecer a todo o custo, Margaret queria conseguir sustentar e proteger a filha a qualquer custo – se possível sozinha – numa sociedade patriarcal e retrógrada, que vê com maus olhos a independência da mulher face ao marido mas aprova a subjugação das primeiras aos segundos em todos os aspectos da vida. Acabar por ser, também. um estudo sobre o espírito indomável e o desejo absoluto de liberdade da mulher, no final dos anos 50 início da década de 60, que se mantém ainda hoje. Embora, felizmente, em dimensões totalmente diferentes.

5 estrelas. Obrigatório.

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