A Short History Of Nearly Everything – Leitura Obrigatória

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Este livro não é, infelizmente, leitura obrigatória em Portugal. Mas deveria sê-lo.

É uma análise muito bem humorada, e extremamente bem construída, cheia de episódios delirantes e com histórias maravilhosas sobre, tal como o nome indica, quase tudo. Desde o nascimento do Universo, às origens das principais ciências e teorias científicas (que, curiosamente, são todas polémicas) até à origem e evolução do homem.

Bill Bryson conta-nos um pouco sobre tudo, apoiado em factos histórico-cinentíficos, em entrevistas com cientistas, mas sem deixar de incluir alguns “mitos urbanos” e, como já referi, com uma dose muito generosa de humor. Dá-nos toneladas de informações de pões alguns dados em perspectiva, para termos a noção da enormidade de alguns dos factos que nos passa ao longo deste excelente “guia científico”.

Por exemplo: Os átomos são indestrutíveis e eternos. Toda a massa que existiu, ou alguma vez existirá, no Universo é composta pelos mesmos átomos. Em ciclos de renovação que duram biliões de anos. Os átomos que me constituem a mim e a vocês podem já ter feito parte do núcleo da Terra ou do Sol. Estima-se que existam mais estrelas na Via Láctea do que células no corpo humano. Sendo que, para chegarmos à estrela mais próxima da Terra (Proxima-Centauri), seria necessário viajar largos milhares de anos à velocidade da luz. A vida inteligente no Universo (além da Humanidade) é uma mera questão de probabilidades, dada a vastíssima (e incalculável) quantidade de estrelas que existem. Exploramos mais do espaço sideral do que do fundo da maior parte dos oceanos do planeta (conhecemos cerca de 0,1% do que está debaixo de água a grandes profundidades). Todos os fósseis que têm sido recolhidos nas últimas centenas de anos representam menos de 1% de todas as espécies que terão existido na pré-história. Aliás, sabemos mais sobre a história do início do Universo, há biliões de anos (estamos, literalmente, a milésimos de segundo do Big Bang, a origem de tudo), do que sobre a evolução da maior parte das espécies do planeta (incluíndo a nossa).

É, sem dúvida, um guia inestimável para quem gosta destes assuntos, e não só.

Além de nos mostrar, por “A+B”, um pouco da origem de tudo, este livro deixa-nos, na minha opinião, uma mensagem muito importante, enquanto raça. O facto de existir vida humana não é uma inevitabilidade da evolução, como postulam muitos cientistas. Não somos o “pináculo” da evolução. O máximo. A última bolacha do pacote.

Somos, isso sim, produto e resultado directo de uma série infinita de casualidades, eventos fortuitos e grandes catástrofes que têm vindo a suceder ao longo dos últimos 14 biliões de anos, desde o início do Universo.

Ao contrário do que pensa, a raça humana não é (nem pouco mais ou menos) o centro do Universo. Somos, à escala cósmica, muito (mas mesmo muito!) menos que um grão de areia.
Ao contrário do que pensamos, não dominamos este planeta (embora sejamos a única espécie que é activamente capaz de danificar o seu próprio habitat); os organismos dominantes neste planeta são os micro-organismos – vírus, bactérias e outros (basta ver que cada ser humano está, literalmente, coberto e “recheado” de múltiplos milhões destes seres).
A acção da Humanidade, nos últimos séculos (desde o século XVI, sensivelmente) já terá contribuído para a extinção de mais espécies do que grande parte dos grandes eventos de extinção a que o planeta assistiu.

Resumindo, a Humanidade, além de inquestionavelmente brilhante (tem conseguido encontrar resposta para muitos dos mistérios do Mundo e do Universo, através da ciência), é também, inquestionavelmente, imperfeita. Une-se para salvar e tentar explicar o Mundo e o Universo para, no segundo a seguir, se desunir e destruir tudo o que havia criado.

Mas como diz Bill Bryson: “Estamos, de facto, apenas no início de tudo. O truque está, claro, em nunca virmos a descobrir o final. E isso, certamente, vai depender de muito mais do que da sorte.”

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