Do espectáculo de marionetes

passos-coelho

Hoje, sim, posso dizer que tenho vergonha de ser português.
Se é que se pode dizer que ainda somos, verdadeiramente, um país, soberano e independente, porque com tantos ditames da União Europeia, da Alemanha, do BCE, e do FMI, entre outros, mais parecemos uma espécie de minúscula e insignificante engrenagem, numa máquina gigantesca. Daquelas que, mesmo se se partirem ou estragarem, a máquina continuará a funcionar, como se nada fosse.

E hoje demos o passo definitivo nessa direcção. Hoje, o nosso Primeiro fez o favor de dizer que, receber 2200 emigrantes (conforme imposto pelas ridículas quotas da União Europeia para “escamotear” o problema dos migrantes que morrem às centenas e aos milhares no Mediterrâneo) é “muita gente”. Mais uma vez prestando vassalagem à senhora Merkel e aos poderosos da UE.

Mas julgo que não estou sozinho na indignação face a esta resposta de Passos Coelho, até porque não me revejo, minimamente, na mesma.

O que importa saber que, ao recebermos esta minúscula percentagem de vidas humanas, estamos a salvar crianças, mulheres e homens da morte quase certa? Senão na travessia do Mediterrâneo, nos seus países de origem.

O que aconteceu ao Portugal solidário? Que, apesar de país pobre que é, sempre se colocou na linha da frente da solidariedade internacional? Que ainda agora, recentemente, na crise do sismo no Nepal, teve inúmeros voluntários e a AMI no local? Ah pois, neste último caso a ajuda foi de iniciativa “privada”. Pelo menos que se saiba, o Estado nada terá feito para ajudar.

Ora bem, como a União Europeia se viu forçada a reagir ao embaraço de ter milhares de pessoas a morrer-lhe, literalmente, nas praias, decidiu inventar este esquema das quotas – quotas essas directamente indexadas ao tamanho da população e ao desempenho da economia de cada estado membro. A solução para o problema da emigração da UE é… Se temos um problema, atiremos-lhe dinheiro para cima. Pode ser que desapareça! E quando digo “problema da emigração” digo todo e qualquer problema com que a Comunidade se depare. Porque todo e qualquer problema com que a UE se depare é resolvido atirando-se-lhe dinheiro para cima.

Ora… Confrontados como este problema, qualquer estado (ou união de estados), que não seja xenófobo claro, vê na emigração uma oportunidade para inverter um dos principais problemas dos países desenvolvidos: o envelhecimento acelerado da população. Estas verdadeiras “ondas” de emigrantes podem contribuir, e muito, para a renovação da população europeia, para a dinamização as economias, para resolver problemas de sistemas de Segurança Social com enormes problemas de financiamento (como o português). Eu aprendi que a emigração pode ajudar nestas situações numa disciplina que tive no secundário. E qualquer pessoa minimamente inteligente sabe que assim é.

Se estes emigrantes forem correctamente integrados na sociedade europeia podem, de facto, salvar os países do Velho Continente. E, quem sabe, no longo prazo, formar bases para criar, nos seus países de origem, gerações de líderes que invertam as situações em que os mesmos se encontram.

Mas, claro, como sempre, a Fortaleza Europa fecha as suas portas. E esconde os problemas debaixo de montanhas de dinheiro.

E, entretanto, há pessoas que continuam a morrer no Mediterrâneo.

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