Do Bullying

Hoje em dia, o bullying está na moda. Ou falar sobre este fenómeno está na moda. Particularmente nestas duas semanas.

Desde o vídeo em que meia dúzia de energúmenos agridem barbaramente um rapaz na Figueira da Foz às notícias que nos têm chegado, dia sim, dia sim, de agressões várias, e igualmente bárbaras, a jovens um pouco por todo o país.

Ora bem. Este fenómeno – motivado squer pela chamada “mentalidade do grupo”, quer pela pressão de pares, quer por alguns serem mais “fortes e maiores” que outros – sempre existiu. É, se sempre foi, quase uma “prova de iniciação”, semi-tribal, para quem o pratica e para quem o sofre. Felizmente, nunca fui vítima deste fenómeno, nem conheço ninguém que tenha sido alvo do mesmo.

Claro que, com isto, não quero dizer que concordo com as agressões, já que nada pode justificar estas barbaridades.

O que vemos hoje, e que agora, de repente, é alvo da indignação de toda a gente (porque indignar-se, sobretudo via redes sociais, está na moda), são, certamente, casos pontuais de requintes particulares de violência e malvadez. Casos estes que, graças às redes sociais e aos frenesins mediáticos, geram grande alarme social –  o que acaba por ser natural.

Mas, volto a dizê-lo, o bullying existe (todos os dias) e sempre existiu (desde sempre).

Hoje em dia temos, isso sim, mais acesso a estes casos – até porque quem o pratica, sendo tipicamente caracterizado pela falta de inteligência, usa as redes sociais para expor a linda porcaria que anda a fazer. E porque os media, que com o aumento do ciclo noticioso, têm que pegar no que quer que seja para colocar no ar (não que não seja necessário expor e denunciar este tipo de casos).

Estes actos, mais violentos e malvados, são potenciados pela sociedade actual, em que assistimos a um progressivo “desligamento” no interior das famílias, onde os pais, sem paciência para os filhos (porque simplesmente não nasceram para ser pais ou porque têm, infelizmente, demasiados problemas para conseguir acompanhar devidamente os filhos), os deixam entregues, sem qualquer supervisão, aos telemóveis e às redes sociais, à televisão e consolas. Este desinteresse, forçado ou não, pelos filhos leva-os a um processo de desumanização, de falta de empatia pelos outros, de “dessensibilização” que, digo eu, no melhor dos cenários levam a estes casos de bullying violento e retorcido ou à criação de gangues juvenis. A facilidade de comunicação, e relativo anonimato, trazido pelas redes sociais, é apontado como sendo um dos principais potenciadores do bullying, neste caso o cyber-bullying que, apesar de não incidir na violência física, deixa as mesmas marcas que a violência física e verbal do bullying “tradicional”.

Há que apostar, desde o início, no acompanhamento e educação cívica dos jovens. Em que o papel principal, e absolutamente fundamental, é dos pais e dos familiares directos. Continuando, depois, pela vida escolar em diante.

Convém termos é sempre em mente que o bullying sempre existiu e sempre existirá. Existem, isso sim, formas de o prevenir.

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