The Generation Gap

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Há quem fale de diferenças entre gerações, coisa à séria, sobretudo, por exemplo entre a geração dos que nasceram nos EUA da década de 50, os baby boomers da geração hippie dos anos 60, ou a diferença de gerações entre os japoneses que nasceram logo após a derrota do Império na II Guerra Mundial e os que nasceram a partir dos anos 70.

O que me proponho escalpelizar hoje não é nada tão sério e, julgo eu, muito menos será um fenómeno sociológico ou histórico.

Falando da perspectiva de quem nasceu no ano 1 da década de 80, vivi períodos do nosso século que ficam famosos por acontecimentos históricos e sociais significativos: a queda do Muro de Berlim, o acidente de Chernobyl, a entrada de Portugal na CEE, o pontificado de João Paulo II, só para citar alguns. Testemunhei o advento do computador pessoal, da internet, dos telemóveis e dos vídeojogos, por exemplo.

Vivemos, hoje, numa sociedade diferente, a vários níveis, para o melhor e para o pior. Drasticamente diferente.

Os anos 80 e 90 deram-nos o Mundo, na ponta dos dedos. Deram-nos hinos, temas musicais que ainda hoje perduram (e perdurarão para sempre). Deram-nos livros, jornais, revistas, a palavra escrita em todos o seu esplendor. Abriram-nos a porta da liberdade de expressão e opinião, que não se fica apenas pela família, amigos e vizinhos – está a acessível a todo o mundo. Deram-nos filmes inesquecíveis, séries de televisão, novelas, desenhos animados que deixaram (e deixam) saudades.

Para mim, talvez por serem as décadas em que cresci e me tornei adulto, são uma espécie de “era dourada”. Mas sinto que não é só para mim, nem só para quem cresceu nestas décadas. Foram, de facto,  duas décadas extraordinárias, únicas, irrepetíveis.

Que, como já disse, nos deixaram uma grande herança, um vastíssimo espólio e o Mundo, na ponta dos dedos.

Talvez seja por isso que, hoje em dia, sinta que tudo é tão relativo, frio, impessoal, plástico e sem paixão. A facilidade de acesso a, virtualmente, tudo tirou-nos a paixão da descoberta. A era do digital, ao contrário da era analógica, dá-nos tudo (o que queremos e não queremos) com uma facilidade extrema.

Apesar de existirem “aqueles” momentos, não há temas musicais que se tornam hinos. Hoje em dia a música parece toda igual. A música “comercial” é sempre a mesma coisa, a mesma fórmula, repetida até à exaustão. E, pior, com resultados. Com bons resultados. Hoje em dia já não vejo ninguém a compor um “With Or Without You”, um “We Are The Champions”, um “Hungry Like The Wolf”.

Apesar de se continuarem a fazer grandes, grandes filmes (muitos deles “apoiados” em material dos anos 80 e 90), não há momentos como as sagas originais da Guerra das Estrelas, Star Trek ou Indiana Jones. Não há outra “História Interminável” ou “Lenda da Floresta”. Não há mais “Caça ao Outubro Vermelho”, “Aliens” ou “Predador”. Não há “Rei Leão”, “Príncipe do Egipto” ou “Fuga das Galinhas” – nem sequer há animação tradicional, muito menos “claymotion”. É tudo feito por máquinas! O cinema hoje em dia equivale a 99% de reboots e sequelas com 1% de originalidade.

Não há televisão como antigamente, em que o país parava para ver algumas novelas brasileiras ou séries americanas. E as crianças paravam para ver os seus desenhos animados preferidos. Até a televisão parava, e só começava depois de almoço. Hoje em dia há necessidade de se poder consumir o que queremos, quando queremos, onde queremos. Já não se junta a família à volta da “caixinha que mudou o mundo”.

Hoje em dia o mundo é tão plástico, tão impessoal, tão carregado de máquinas. Ganhou-se, em muitos campos, o que se perdeu em tempo, passado com família e/ou amigos, no contacto directo com outros seres humanos.

Perdeu-se muita “magia”, em troca da tecnologia. E vejo, cada vez mais longe, o Mundo em que cresci. Todos os dias se perde, mais um bocadinho, e nada que se faça hoje em dia se pode comparar ou compensar o que já se perdeu!

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