Syriza, Podemos e a chamada bandwagon

Syriza: partido de extrema esquerda grego que, há bem pouco tempo atrás, prometia rasgar os acordos assinados com a troika, renegociar a dívida e, pasme-se, sair do Euro e até da União Europeia.

Podemos: Partido de (extrema?) esquerda espanhol, formado por iniciativa popular, que saltou para a ribalta na sequência dos escândalos de corrupção que envolveram o PP, actualmente no poder.

Ora, o Syriza ganhou as eleições na Grécia, ficando à beira da maioria absoluta, não sem antes “esquecer” convenientemente que tinha prometido rasgar os acordos assinados com a troika e assumindo uma posição muito mais moderada, no que diz ao Euro e à UE. Um resultado histórico, em toda a linha, rompendo com anos de bipartidarismo, relegando a segunda força política grega, o PASOK (socialistas gregos), para sexto lugar, elegendo uma quinzena de deputados, num parlamento com 300. O que ninguém reparou é que, em terceiro lugar, ficou um partido neonazi. O resultado da desilusão grega com o sistema “mais do mesmo” foi a viragem para os extremismos, quando os partidos ditos “normais” falharam em toda a linha. A mim parece-me preocupante.

O Podemos, em Espanha, afigura-se estar a caminho de uma série de vitórias, igualmente históricas, nas eleições regionais, autárquicas e legislativas, que vão ter lugar este ano no país vizinho. Fala-se já de um ponto final no bipartidarismo espanhol, tal como sucedeu na Grécia. De uma revolução no sistema político. De renegociação da dívida espanhola.

Estes dois pontos levam já muitos comentadores políticos a declarar o fim do bipolarismo nos sistemas políticos do Sul da Europa, incluindo em Portugal. É, ou tem potencial para ser, uma mudança que pode levar à alteração de todo o paradigma político e governativo europeu.

E, claro, sugiu já um movimento cívico português , que pelos vistos irá mesmo avançar para a formação de um partido, em tudo semelhante ao Podemos (neste quadrado não se sabe ser original), que tem como uma das figuras de destaque Joana Amaral Dias.

Neste momento, e de há largos anos a este parte, sou apartidário. Com simpatias à esquerda, não simpatizo particularmente com nenhum dos actuais partidos nacionais desse espectro político. A política portuguesa é-me alheia. Não me identifico com nenhum dos “players” actuais e duvido que algum dos futuros me “conquiste”.

E é, talvez, por ser politicamente céptico que tenho a certeza que esta “moda” da mudança do sistema político, pela ruptura com os grandes “tubarões” que nadam nesse charco infesto que é a política, certamente não passará disso mesmo: uma moda. Porque, cedo ou tarde, voltaremos a ver “os do costume” no poleiro. Ou então bipolaridade entre extremas, dos Syrizas aos neonazis deste mundo.

Venha o diabo e escolha. Mas não contem comigo para essas macacadas.
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