Racismo na América

black panthers

Depois do assassinato,às mãos de forças policiais, de dois homens de raça negra, nas cidades de Nova Iorque e Ferguson, nos Estados Unidos da América, vemos ressurgir novo debate entre os defensores da autoridade policial (e de todos os meios usados por essas autoridades, na defesa da lei e da ordem) e aqueles que defendem que o tratamento, feito por essas mesmas autoridades, de cidadãos de raça negra e brancos é, claramente, distinto.

Ou seja, as autoridades, e o próprio país são, no fundo, racistas.

Eu concordo com argumentos de ambas as partes. Embora defendendo, firmemente, que os EUA são uma nação racista, começando pelo excesso de zelo de alguns agentes policiais, em casos que envolvem cidadãos afro-americanos.

Senão vejamos e pegando, desde já, no caso da cidade de Ferguson.
Da força policial da cidade, composta de cerca de 60 efectivos, apenas 3 são negros (embora a cidade seja de maioria afro-americana).
Darren Wilson, o agente policial responsável pela morte de Michael Brown, de apenas 18 anos, nesta cidade do Missouri, foi ilibado por um júri composto, na sua maioria, por cidadãos de raça branca.
Li testemunhos de vários cidadãos (brancos) desta cidade que acusam (e passo a citar) “os pretos de estarem à espera de qualquer oportunidade para começarem os motins e as pilhagens”.

Ora bem, o certo é que Darren Wilson ter-se-á sentido “ameçado” por Michael Brown ao ponto de o alvejar não uma, nem duas, nem três, mas sete a oito vezes. Supostamente terá sido agredido por Brown, fisicamente maior e mais possante que o agente, com dois murros. Nas fotos tiradas ao agente no hospital, reveladas pela CNN, não vê uma única marca na face do agente.

Em Nova Iorque, Eric Garner vendia tabaco de contrabando numa esquina, quando foi interceptado por agentes da polícia.
Garner não ofereceu qualquer resistência à detenção, nem esboçou qualquer gesto agressivo.
Foi manietado por vários agentes (pelo menos 6, nenhum deles de raça negra), um dos quais lhe terá aplicado um “chokehold”, impedindo que Garner (já de si asmático) respirasse normalmente.
Aliás, no vídeo da detenção, é bem patente e audível, Garner a queixar-se de não consegui respirar, enquanto 4 ou 5 agentes o mantêm no chão, um dos quais em cima das vias respitatórias do homem, que acaba por falecer no local, por insuficiência respiratória.

Todos os agentes foram ilibados de qualquer acusação.

São só dois casos, mais mediáticos porque tiveram duas vítimas mortais. Haverá várias centenas (ou milhares) de casos de abuso de força por parte das autoridades policiais americanas que nunca chegam aos ouvidos do público. Seja porque não existe queixa, seja porque não há vítimas mortais, nem motins e protestos (pacíficos ou violentos) em torno de decisões inacreditáveis dos tribunais.

Vendo o que vemos em séries de reality tv como Cops ou Jail, percebemos que parece haver uma tendência da comunidade afro-americana para se “meter em sarilhos” com a Lei. Mas será mesmo assim?

Será que a resposta de um agente policial branco, a casos como o de Ferguson e Nova Iorque, seria igual se do outro lado estivesse um cidadão branco?

Será que a comunidade afro-americana já reage “a medo” quando é abordada por agentes da lei, brancos, porque não sabe o que esperar de quem, supostamente, deveria proteger todos por igual? Será que é por isso que, se são mandados parar, não param e antes decidem fugir, com medo do que possa acontecer se acatarem a ordem dos agente?

Há claramente algo de errado.

O racismo está, segundo o próprio Barack Obama, “enraizado” nos Estados Unidos da América.
Devido ao esclavagismo, abolido por Lincoln no Séc. XIX, que provocou a Secessão dos estados do Sul (dependentes quase exclusivamente de mão de obra escrava) e consequente Guerra Civil Americana.
Devido à segregação racial, e ausência de direitos civis, que existiu nos EUA até à década de 60 do século passado. Devido a mentalidades, que não mudam, no país. Que vêem o cidadão afro-americano como inferior, diria mesmo sub-humano (para alguns sectores da sociedade).

Há algo de profundamente errado nesta maneira de pensar e de fazer as coisas. Incluíndo manter a lei e a ordem.

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