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Nada e tudo. Tudo ou nada.

12 Setembro 2016

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Tudo e nada, duas faces da mesma moeda. Dois antónimos com mais em comum que muito sinónimo.

É fácil. Pelo menos para mim é fácil baralhá-los e voltar a dar. Porque sei o que é ter tudo para dizer – e não sair nada.

Sei o que é guardar tudo para mim, não partilhar nada, porque as outras pessoas têm as suas vidas e os seus problemas, e não quero estar a sobrecarregá-los com os meus problemas e a minha vida. Mesmo sabendo que podem (e querem) ajudar-me

É fácil responder “nada”, quando me perguntam o que é que tenho. Mesmo sabendo que não é bem verdade. Mas também como é que vou conseguir explicar o tudo que anda cá dentro?

É tudo tão estranho. É estranho pensar que, contigo, já partilhei tudo, nada e mais alguma coisa. É estranho sentir tudo, deste lado, e não sentir nada, desse lado.

O mais estranho de tudo é sentir os pequenos nadas (um olhar, um sorriso, uma gargalhada, o teu perfume – “aquele” teu perfume) como se fossem tudo. O que há de mais efémero, em ti, é o que, a mim, mais me marca.

O meu nada está à distância do teu tudo. Tu saíste por aí, viveste, vives e viverás. Eu fiquei na mesma, morri um bocadinho  por dentro. E agora é tarde demais.

Tenho o coração cheio de nada, vazio de tudo.

Tudo ou nada – duas faces da mesma moeda.

All or nothin’ at all
Half a love never appealed to me
If your heart, it never could yield to me
Then I’d rather, rather have nothin’ at all

I said all, nothin’ at all
If it’s love, there ain’t no in-between
Why begin then cry for somethin’ that might have been
No I’d rather, rather have nothin’ at all

Hey, please don’t bring your lips close to my cheek
Don’t you smile or I’ll be lost beyond recall
The kiss in your eyes, the touch of your hand makes me weak
And my heart, it may grow very dizzy and fall

And if I fell under the spell of your call
I would be, be caught in the undertow
Well, you see, I’ve got to say “No, no, no”
All or nothin’ at all

And if I fell, fell under the spell of your call
Don’t you know I would be caught in the undertow?
So, you see, I just got to say “No, no”
All or nothin’ at all

All or nothin’ at all

Caro José Luís

6 Setembro 2016

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Antes de mais, espero que me perdoes a audácia de me dirigir a ti assim, com o desplante de quem trata um respeitado escritor da língua portuguesa pelos nomes próprios e, pior ainda, por tu – sendo que, pessoalmente, não te conheço de lado nenhum.

Mas não é pelo simples facto de não te conhecer pessoalmente que não temos alguns paralelos:  partilhamos o gosto pelo música mais pesadota, partilhamos progenitores nascidos no Alto Alentejo, és quase da mesma idade da minha irmã, é óbvio que ambos gostamos da escrita (embora, a nível de talento, estejamos em galáxias diferentes!) e, o que me faz escrever este artigo neste modesto  canto da blogoesfera, partilhamos o fascínio pela República Popular da Coreia, vulgo Coreia do Norte.

Comprei o teu livro no passado sábado,  dia 3, e acabei-o há mais ou menos cinco minutos. O que me leva ao primeiro reparo que te faço: porque raio é que uma viagem de 15 dias pela Coreia do Norte apenas dá para 236 páginas de livro? É que, ao longo destas 236 páginas, mostras-nos o país como todos nós sabemos que é, estamos carecas de saber, é um estado autoritário, opressivo, militarista ao extremo, baseado no culto da personalidade dos Kim (Il Sung, Jong Il e Jong Un) e na lavagem cerebral de 24 milhões de coreanos 24 horas por dia, 7 dias por semana, desde que nascem até ao momento em que morrem, para acreditar que os Kim, o ideário Juche e a Coreia do Norte são as melhores coisas do Mundo. E, sim, todos os coreanos acreditarão nisto.

Mas, que raio, estas tuas 236 páginas permitem, ao comum dos mortais com eu, apenas o mais breve dos vislumbres daquilo que é ser-se o norte-coreano comum – o chamado “average Joe”. E é isso que eu quero saber e conhecer!

Mostras-nos o coreano comum na sua adoração aos seus amados líderes (a Coreia do Norte é a única necrocracia do mundo – Kim Il Sung é presidente em pleno exercício de poderes, mesmo estando morto há 22 anos), novamente aquilo que todos já sabemos.
Mas, por breves instantes, mostras-nos a imagem do carinho que devotam às crianças – quer sejam filhos, netos, sobrinhos ou conhecidos.
Mostras-nos que, além dos grandes jogos de massas, os coreanos divertem-se, sempre em conjunto, e, tal como outro ser humano qualquer, quando bebem um copo a mais andam à porrada!
Mostras-nos, por vislumbres, a experiência única de ir ao norte do país, onde não entravam estrangeiros há 60 anos, e o espanto do coreano comum ao ver-vos, estrangeiros de olhos redondos. Deve ser uma coisa semelhante ao espanto da primeira pessoa que viu um rinoceronte.

Mostras-nos tanto, e ao mesmo tempo tão pouco.

E é fácil perceber porquê! Foste apanhado na malha do “turismo” norte-coreano, em que se exalta, como sempre, os amados líderes primeiro, o exército segundo, o povo coreano em terceiro e se rebaixa, ao máximo possível, os americanos e os japoneses enquanto os sul-coreanos são vistos com pena, uma espécie de fantoches do imperialismo americano.

Foste “forçado” a fazer a visita “oficial” e apenas viste os verdaeiros norte-coreanos pelo “rabinho do olho”, por vislumbres que, felizmente, nos trouxeste com este teu livro.

Da minha parte, quero agradecer-te. Em primeiro lugar quero agradecer-te a coragem de tomares a decisão de ires à Coreia do Norte, sem saber se voltarias a sair – sim, há um risco bastante elevado de entrar e não voltar a sair (mais que não seja porque somos americanos idiotas e decidimos roubar um cartaz de propaganda…). Em segundo lugar, a coragem de te afastares, assim, da tua vida – da tua família – sem saberes se alguma vez os voltarias a ver. A coragem de transgredires as regras e publicares um livro de uma viagem que estavas absolutamente proibido de documentar, por escrito, e cuja documentação, em fotografia, era estritamente controlada.

A Coreia do Norte é, e vai continuar a ser, um mistério. Um estado fechado sobre si mesmo, com uma população fechada sobre si mesma, ambos a viver uma utopia. Já não falamos de comunismo quando falamos deste país. Falamos de uma nação fanaticamente militarista. Cuja população vive iludida, com sonhos de grandeza que estão a anos-luz de alcançar. Ainda tenho esperança que a Coreia do Norte seja uma potência nuclear apenas no papel – que de alguma forma tenham conseguido simular os testes nucleares. Porque pensar em Kim Jong Un a decidir sobre se carrega ou não no botão que começa o holocausto nuclear dá-me calafrios. A Coreia do Norte é um regime mais xenófobo que o próprio regime nazi – já não existem referências a Marx e Lenine. Apenas aos líderes e à glória do povo coreano.

Como dizes, José Luís, não se trata de fazer a apologia das ditaduras, sejam de esquerda, direita, centro ou anarquistas. Trata-se de tentar levantar a pontinha do véu sobre um país que, de tão fechado, opressor e perigoso que é, se  torna fascinante.

E queria agradecer-te por isso, na vã hipótese de alguma vez de cruzares com este meu texto.

Obrigado, José Luís Peixoto, auto de “Dentro do Segredo – Uma Viagem na Coreia do Norte”.

Escrever

5 Setembro 2016
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Marguerite Duras

Já me perguntei isto muitas vezes e já me foi perguntado muitas vezes – porque escrevo?

Escrever é um escape. É uma maneira de, à falta da palavra dita, moldar as palavras para exprimir o que vai cá por dentro. É das poucas maneiras que tenho de abrir a alma, o coração e o espírito.

Escrevendo, revolto-me contra o mundo – o meu, o dos outros e o nosso.
Escrevendo, grito sem ruído.
Escrevendo, deito abaixo as paredes e muros que me cercam e me oprimem.

É ao escrever que, muitas vezes, me transmito sentimentos e emoções. Porque a palavra dita  não passa de um sopro, que aparece tão depressa como desaparece. E, sem ter menos significado que a palavra escrita, me parece mais transitória e menos permanente.

Escrevo para fugir. Para criar um espaço, um tempo, um mundo em que – por cinco, dez ou vinte minutos – posso ser quem quiser ou nunca deixar de ser eu.

Escrevo porque gosto e muitas das vezes (quase todas) odeio o que escrevi e tenho uma imensa vontade de deitar fora e fazer conta que aquilo que ali está não foi escrito por mim.

Escrevo porque sim e porque não.

Escrevo porque não quero falar. Porque não sei falar. Porque não gosto de falar.

Escrevo, aqui, há mais de 10 anos. Não quero, nem nunca quis, chegar ao mundo todo. Embora saiba que, estando “na rede” tenho potencial para o fazer – é por isso que as 200 mil visitas que acumulei no Blogovitor ao longo do tempo são, basicamente, das mesmas duas dúzias de pessoas (ou menos ainda).

Escrever liberta e aprisiona. Escrever expande os nosso horizontes e, ao mesmo tempo, comprime-os. Escrever é uma paixão e um ódio. Escrever é prazer e frustração.

Escrever. Gosto. Quero. E vou continuar.

“Para o coração que eu já tive”

29 Agosto 2016

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Momentos há, na vida, em que todos nós, sem excepção, já desejámos não ter coração.
Não  o órgão físico – porque é essencial à vida – mas o poético, o espiritual – se quiserem. Aquele de onde vêm os sentimentos – todos eles.

Momentos há, na vida, em que ter coração é sentir. Sem limites. É viver. Sem receios. É amar. Sem medos. Até os mais “empedernidos”, digam o que disserem, amaram alguém, alguma coisa, algum momento – pelo menos uma vez na vida. Quando tudo corre bem, é tudo tão bonito, tão rosáceo, paradisíaco! É como se fosse um sonho!

Até àquele dia, inevitável, em que tudo desaba – quem tu amamos diz-nos para lhe desaparecermos da frente e o nosso mundo cai pela base.

Esse “mundo”, esse “universo”, esse “para sempre”… Tudo o que julgamos ser eterno, em todo e qualquer sentimento, na verdade não passa de um singelo castelo de cartas. As paredes dessa fortaleza impregnável são ilusórias – tão sólidas como algodão doce.

A verdade é que é o coração – o sentimento – que constrói a sua própria ilusão de solidez, eternidade, impregnabilidade. Ele próprio disfarça-se de indestrutível, convence-se a si mesmo (e a nós também) de que está para durar e… Basta um sopro para desaparecer, como se de uma nuvem se tratasse!

É melhor ser empedernido. Duvidar de tudo – do que vemos ao que sentimos. Ser cruel, sem chegar a tanto.

Porque é isso mesmo que tenho vontade de fazer, neste momento. Ser de uma crueldade e de uma frieza que, nada tendo a ver comigo, me são impostas pelas circunstâncias.

Por uma vez, gostava mesmo de não ter coração!

Time will not heal a dead boy’s scars,
Time will kill.

Wishlist

25 Agosto 2016

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– Férias prolongadas em qualquer um dos seguintes destinos: Islândia, Nova Zelândia, Hawaii, Jamaica.
– Algum dinheiro para poder usufruir das referidas férias (não traz felicidade, mas ajuda muito).
– Liberdade (pessoal e social) para poder dizer umas quantas verdades a umas quantas pessoas, sem consequências (nada ofensivo!).
– Que as pessoas de quem gosto tenham vidas longas e preenchidas (só isso já ajudaria bastante a preencher a minha).
– Resposta à pergunta “Há vida inteligente noutros planetas?”

E, finalmente, os mais complicados, que, no fundo, vão todos dar ao mesmo:

– Preciso, urgentemente, de uma máquina do tempo que, conservando a minha personalidade actual, me deixe voltar uns anos atrás.
– Preciso, urgentemente, de saber o que teria acontecido se tivesse decidido fazer zig em vez de fazer zag.
– Preciso, urgentemente, de saber o que o Universo planearia para nós se a curva fosse à esquerda e não à direita.

Preciso mesmo. De respostas. Para tantas perguntas!

I wish I was a neutron bomb, for once I could go off
I wish I was a sacrifice but somehow still lived on
I wish I was a sentimental ornament you hung on
The Christmas tree, I wish I was the star that went on top
I wish I was the evidence, I wish I was the grounds
For 50 million hands upraised and open toward the sky

I wish I was a sailor with someone who waited for me
I wish I was as fortunate, as fortunate as me
I wish I was a messenger and all the news was good
I wish I was the full moon shining off a Camaro’s hood

I wish I was an alien at home behind the sun
I wish I was the souvenir you kept your house key on
I wish I was the pedal brake that you depended on
I wish I was the verb ‘to trust’ and never let you down

I wish I was a radio song, the one that you turned up

Ideias

19 Agosto 2016

 

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Woodkid – The Golden Age

Ideias, ideias. Pensamentos. Vontades, sentimentos, palavras e expressões. Tudo isto a competir por atenção, na minha mente.

Ideias que chegam a meio caminho entre o cérebro a ponta dos dedos, para se transformarem em palavras e expressões mas, a meio caminho, são interceptados, por pensamentos, sentimentos e vontades.

A meio caminho entre o cérebro e a ponta dos dedos as expressões são atropeladas. Por ti.

Já não é novidade nenhuma. E eu quero que continue assim. É bom ter-te na ideia. Mesmo não estando, estás por perto. Mesmo não estando, posso estar contigo.

E há sempre a inspiração que me dás, ajudas-me a transformar uma ideia microbiana numa expressão gargantuana do que és para mim.

Estás longe? Sim estás.
Podes ficar mais perto de mim? Sim e não.
Podes estar comigo, sempre? Talvez não.

Mas o que me importa? Só por teres estado na minha vida, dantes como agora,  já a tornaste infinitamente melhor.

Obrigado por isso e por tudo mais!

Where the light shivers offshore
Through the tides of oceans
We are shining in the rising sun

As we are floating in the blue
I am softly watching you
Oh boy your eyes betray what burns inside you

Whatever I feel for you
You only seem to care about you
Is there any chance you could see me too?
Cause I love you
Is there anything I could do
Just to get some attention from you?
In the waves I’ve lost every trace of you
Where are you?

After all I drifted ashore
Through the streams of oceans
Whispers wasted in the sand

As we were dancing in the blue
I was synchronized with you
But now the sound of love is out of tune

Whatever I feel for you
You only seem to care about you
Is there any chance you could see me too?
Cause I love you
Is there anything I could do
Just to get some attention from you?
In the waves I’ve lost every trace of you
Where are you?

Abri os olhos

17 Agosto 2016

Hoje.
Abri os olhos e vi-te. Estavas aqui.
Antes de me dares aquele abraço único e só teu (e um bocadinho de nada meu, também), sorriste – só para mim.
Sorris e iluminas a sala, cai um relâmpago que me ilumina o céu durante horas. Ao pé do calor do teu sorriso, pobre Sol… Arrepiado e escondido a um canto!
Sentaste-te ao meu lado, deste-me a mão, encostaste a cabeça no meu ombro, partilhámos um suspiro enquanto nos aconchegávamos um no outro.
Olhei-te, enquanto me envolvias no teu perfume (aquele perfume), e perdi-me – pela milionésima vez, sempre como se fosse a primeira – nos teus olhos.
Estendi a mão e acariciei o veludo negro do teu cabelo. Cuidadosamente. Como sei que adoras.

E, desta vez, não resisto… Perdido no labirinto dos teus olhos, na noite do teu cabelo, no teu perfume inebriante… Guiado pelo brilho do teu sorriso… Aproximei os meus lábios dos teus e, mesmo quando senti o calor da tua respiração…

Acordei.

Não estavas lá.
Só eu.
Enrolado nos lençóis da cama.
Martelo o despertador – amaldiçoando a gritaria electrónica que me arrancou do teu abraço, que me roubou o teu beijo.O Sol vem nascendo, pálida bola de fogo ao lado do teu sorriso luminoso e do seu calor.
Fecho os olhos, pode ser que ainda te veja… Mas já não há nada. Só escuro.
Concentro-me ao máximo, pode ser que ainda te ouça respirar… Mas não… Só ouço os carros na rua e a merda do despertador que volto a martelar.

Mais um dia sem ti. “Pode ser que hoje seja mais fácil…!” Mas nunca é.
Mais um dia em que a distância se agiganta. Escapa-me uma lágrima.
Ainda não é hoje.

Hoje eu não sou
Transparente tão ausente
Já esqueci tudo o que lembrei
Hoje eu não sou
Quase nada alma apagada
E tenho tanto que ainda não dei

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