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Ideias

19 Agosto 2016

 

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Woodkid – The Golden Age

Ideias, ideias. Pensamentos. Vontades, sentimentos, palavras e expressões. Tudo isto a competir por atenção, na minha mente.

Ideias que chegam a meio caminho entre o cérebro a ponta dos dedos, para se transformarem em palavras e expressões mas, a meio caminho, são interceptados, por pensamentos, sentimentos e vontades.

A meio caminho entre o cérebro e a ponta dos dedos as expressões são atropeladas. Por ti.

Já não é novidade nenhuma. E eu quero que continue assim. É bom ter-te na ideia. Mesmo não estando, estás por perto. Mesmo não estando, posso estar contigo.

E há sempre a inspiração que me dás, ajudas-me a transformar uma ideia microbiana numa expressão gargantuana do que és para mim.

Estás longe? Sim estás.
Podes ficar mais perto de mim? Sim e não.
Podes estar comigo, sempre? Talvez não.

Mas o que me importa? Só por teres estado na minha vida, dantes como agora,  já a tornaste infinitamente melhor.

Obrigado por isso e por tudo mais!

Where the light shivers offshore
Through the tides of oceans
We are shining in the rising sun

As we are floating in the blue
I am softly watching you
Oh boy your eyes betray what burns inside you

Whatever I feel for you
You only seem to care about you
Is there any chance you could see me too?
Cause I love you
Is there anything I could do
Just to get some attention from you?
In the waves I’ve lost every trace of you
Where are you?

After all I drifted ashore
Through the streams of oceans
Whispers wasted in the sand

As we were dancing in the blue
I was synchronized with you
But now the sound of love is out of tune

Whatever I feel for you
You only seem to care about you
Is there any chance you could see me too?
Cause I love you
Is there anything I could do
Just to get some attention from you?
In the waves I’ve lost every trace of you
Where are you?

Abri os olhos

17 Agosto 2016

Hoje.
Abri os olhos e vi-te. Estavas aqui.
Antes de me dares aquele abraço único e só teu (e um bocadinho de nada meu, também), sorriste – só para mim.
Sorris e iluminas a sala, cai um relâmpago que me ilumina o céu durante horas. Ao pé do calor do teu sorriso, pobre Sol… Arrepiado e escondido a um canto!
Sentaste-te ao meu lado, deste-me a mão, encostaste a cabeça no meu ombro, partilhámos um suspiro enquanto nos aconchegávamos um no outro.
Olhei-te, enquanto me envolvias no teu perfume (aquele perfume), e perdi-me – pela milionésima vez, sempre como se fosse a primeira – nos teus olhos.
Estendi a mão e acariciei o veludo negro do teu cabelo. Cuidadosamente. Como sei que adoras.

E, desta vez, não resisto… Perdido no labirinto dos teus olhos, na noite do teu cabelo, no teu perfume inebriante… Guiado pelo brilho do teu sorriso… Aproximei os meus lábios dos teus e, mesmo quando senti o calor da tua respiração…

Acordei.

Não estavas lá.
Só eu.
Enrolado nos lençóis da cama.
Martelo o despertador – amaldiçoando a gritaria electrónica que me arrancou do teu abraço, que me roubou o teu beijo.O Sol vem nascendo, pálida bola de fogo ao lado do teu sorriso luminoso e do seu calor.
Fecho os olhos, pode ser que ainda te veja… Mas já não há nada. Só escuro.
Concentro-me ao máximo, pode ser que ainda te ouça respirar… Mas não… Só ouço os carros na rua e a merda do despertador que volto a martelar.

Mais um dia sem ti. “Pode ser que hoje seja mais fácil…!” Mas nunca é.
Mais um dia em que a distância se agiganta. Escapa-me uma lágrima.
Ainda não é hoje.

Hoje eu não sou
Transparente tão ausente
Já esqueci tudo o que lembrei
Hoje eu não sou
Quase nada alma apagada
E tenho tanto que ainda não dei

Felicidade?

12 Agosto 2016

46e2db633c41549c286fac7be877b967Lucky Man ~The Verve

A felicidade é um estado mental, de espírito e coração, que se traduz fisicamente – como qualquer emoção intensa – e, curiosamente, rima com a sua principal característica, a relatividade. A felicidade é relativa, o que a me faz feliz a mim pode fazer do meu vizinho o homem mais deprimido do mundo. Podemos ser felizes com o mais mundano e com o mais extraordinário – de um dia de sol a ganhar o Euromilhões.

A felicidade é o primeiro e último objectivo de qualquer ser humano. Não só ser feliz mas proporcionar felicidade aos que, para cada um, são mais importantes. A felicidade é tudo, para nós.

E é aí que tenho de me perguntar: para ser feliz, tenho o direito de destruir a felicidade de outrém? Ou, adaptando um famosa frase, “A minha felicidade termina onde começa a felicidade do outro”?

A resposta óbvia, pelo menos da minha perspectiva, é que depende, sempre, dos escrúpulos do próprio. Porque há, como em tudo, quem não tenha problemas em atropelar tudo e todos, levar tudo à frente e destruir vidas, se for preciso, para chegar à felicidade. E não veja algo de errado com isso.

Muitas vezes se diz que “vida é dos espertos” – espertos na pior acepção da palavra – de quem não olha a meios para obter o que quer. E, de facto, é bem verdade – os menos escrupulosos, que não têm problemas com coisas como moralidade, ética ou com a destruição da vida ou da felicidade alheia, são, infelizmente, muitas vezes, os vencedores.

Mesmo sabendo que “nice guys finish last”, quem é bom nunca (ou muito raramente) ganha, e tendo ampla experiência no departamento “perder, ou não chegar nem perto, do que quero por ser boa pessoa”, tenho a certeza que, em primeiro lugar, nunca destruiria a felicidade de alguém para obter a minha porque, em segundo lugar, não tenho o direito de o fazer e, em terceiro lugar, destruir a felicidade de alguém a quem, por exemplo, se quer muito bem certamente vai envenenar a felicidade futura, de um ou do outro ou, pior ainda, de ambos…

Perante dilemas, deste género, que se me colocam, sei sempre qual é o caminho correcto a seguir. O caminho correcto é nunca fazer depender a minha felicidade da destruição da felicidade de terceiros.

Certo.

E quando o “caminho correcto” se atravessa à  frente daquilo que quero?
E se, para ter aquilo que quero (mesmo), não houver escolha?
E se, nesse caminho incorrecto, para ser feliz tiver que deixar de ser quem sou?  Será que vou ser mesmo feliz? Sabendo que para ser feliz, e ter o que quero, tive que abdicar de mim?

Não há certo e errado, branco e negro, bem ou mal. Em tudo na vida há cinzentos e escuridão, mais perguntas que respostas, mais dúvidas que certezas. Mas, se há alguém que tem que chegar a uma resposta, esse alguém sou eu. Porque só eu sei a importância do lugar onde pretendo chegar e se o caminho que faço para lá chegar, por mais árduo e incorrecto que seja, valerá a pena.

E, sinceramente, começo a achar que vale.

Confissão

9 Agosto 2016


Paz. Quando tudo o que queres é paz. No teu âmago. Sossego.

Um fim para todas as perguntas sem resposta e respostas sem pergunta, que não te largam. Todos os “ses”, “porquês” (e “porque nãos”), “ondes”, “quandos”… Todos os pesos, que te caem sobre os ombros, o peito, o coração, o pensamento e o espírito – queres que desapareçam.

Hoje posso dizer que cheguei a um sítio, a um tempo e a uma idade em que cheguei à paz. À minha paz. Sinto-me bem. Comigo e com os outros e, até, com o mundo.

Aquilo que me doía já nem sequer é uma moínha – uma dor daquelas fininhas e incomodativas, que não matam mas moem – a roer-me as entranhas, bem lá no fundo. Hoje, já nem é isso. Cessou de existir. E – felizmente – já há muito.

Mas é do alto da minha “paz” que olho para trás. Bem para trás. Não olho para ontem, nem para a semana passada. Nem sequer para o mês passado ou o ano passado.

Olho para um tempo em que, antes de deixar de ser eu, era eu mesmo. Tal como sou hoje – livre e descontraído.

Olho para um tempo em que via o meu mundo, e as pessoas  que o populavam – muitas desapareceram e, felizmente, reapareceram, outras que desapareceram sem deixar rasto (por iniciativa própria ou vontade minha), outras ainda que apareceram na minha vida e a viraram de pernas para o ar (de um dia para o outro – nalguns casos – ou ao longo de anos – noutros) – com um olhar bastante mais “inocente”, ingénuo e crédulo. Mas nem por isso menos puro.

Apercebo-me, agora, de que talvez tenha deixado escapar pessoas – que se contam por menos de metade dos dedos de uma mão – que não devia ter deixado fugir quando deixei e como deixei.

Tu que, na altura (agora já bem remota), com um olhar, meia dúzia de palavras e um perfume que ainda hoje sinto (e tão depressa não esqueço) me roubaste um beijo e, ao mesmo tempo, me tiraste o tapete debaixo dos pés. E, durante meses, estive a cair. E a adorar cada segundo – porque eras a pessoa que eras e (mesmo passados todos estes anos) ainda és, sem mudar uma vírgula ao texto – que tu escreveste e mais ninguém teria a capacidade de o reinventar. Tu, que me encheste de tal forma o coração que, quando tiveste que o “rebentar”, rebentaste-o como se fosse um balão – e deixaste-me sem ar, sem espírito, sem vontade, sem forma. Vazio.

E, olhando para trás, quem te levou a rebentar o balão do meu espírito? Fui mesmo eu.

O “inocente”. O ingénuo. O crédulo. O Vitor. O rapaz, menino, que pensava que já era homem. E que, hoje, é um homem.

Um sonhador, que sonha poder voltar a ser esse rapaz, com a cabeça, o coração e a maturidade de hoje. Que olha para trás, por cima do ombro, bem lá para trás… E, finalmente, percebe – se fosse, na altura, o homem que sou hoje, a única pessoa ao lado de quem me senti verdadeiramente feliz, uno e amado, a única pessoa que (até hoje) amei incondicionalmente, a única pessoa que (até hoje) acelerou o bater do meu coração só por entrar na mesma sala que eu …

Se fosse então como sou hoje – talvez fosse eu que, hoje, te abraçava quando quisesse. Talvez fosse eu que, hoje, sentia esse perfume, que me levou à perdição por ti, quando quisesse. Talvez fosse eu que, hoje, corria as mãos por esse cabelo negro e, enquanto te olhava bem fundo  nesses olhos cor de avelã, te dizia baixinho, só para ti – ou gritava bem alto para todo o mundo ouvir – que, cliché ou não, “És o amor da minha vida”.

Com ou sem clichés, por esta altura já me estou bem lixando. Foste, e ainda és, o amor da minha vida. Posso dizer, com toda a certeza, que és a única que, enquanto esteve a meu lado, me levou aos altos mais altos. E que, quando te perdi, foi como o fim do (meu) mundo.

Desde então, ninguém me fez sentir o que me fizeste sentir.

E, acredita, levas ainda hoje contigo uma parte do meu coração e outra parte do meu espírito.

E, hoje, consigo chegar mais depressa ao centro da Terra do que a ti. Mas pode ser que, talvez um dia, o teu caminho volte a cruzar-se com o meu. Até lá, as nossas vidas vão correndo, paralelas. Tocando-se de longe a longe.

Mas o espírito, que levaste contigo, voltou. O coração, que levaste contigo, voltou. O teu perfume voltou. O teu toque voltou.

Voltaste. E a esperança de um (total e irremediavelmente) apaixonado nunca morre.

Star Wars Episode VII: The Force Awakens – Opiniões

19 Dezembro 2015

*Potenciais Spoilers – Embora a intenção seja não spoilar nada*

O que dizer acerca deste filme, que não tenha já sido dito, escrito e escalpelizado nos últimos meses e, especialmente, nas semanas que antecederam a estreia, a 17 de Dezembro?

Para quem não conhece o universo, levar com a “injecção” dos últimos dias tem que ter deixado alguma curiosidade, até nos mais cépticos. Mais que não seja porque, simplesmente, não houve como escapar a este fenómeno avassalador que é o Universo Star Wars – e os seus milhões de fãs leais e fanáticos espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Depois de um jejum de 10 anos de 10 anos após a estreia do Episódio 3: Revenge Of The Sith, último episódio da trilogia de prequelas foi com uma alegria enorme que recebi a notícia que a Disney tinha adquirido todos os direitos do autêntico rolo compressor que é a saga Star Wars (em termos de popularidade e lucros potenciais) e que iria lançar uma nova trilogia, a ter lugar 30 anos após os acontecimentos da trilogia original, e cuja realização estaria a cargo do genial J. J. Abrams.

Se ainda persistiam dúvidas que Abrams é genial – mesmo após ter ressuscitado, para o cinema, a saga Star Trek (e que reanimação essa!) – ficam totalmente dissipadas após episódio VII.
O que Abrams prometeu aos fãs, Abrams cumpriu. Na totalidade.

Após o “flop” que foram as prequelas, com escolhas questionáveis (para ser simpático!) de George Lucas como secundarizar a “estória” e o “story telling” a favor do espectáculo visual, escolhas questionáveis (e muito, muito erradas) a nível de elenco (Hayden Christensen tem o alcance emocional de um pedaço de madeira!), pequenos pormenores que deixaram qualquer fã da saga à beira de uma ataque de nervos! Não digo que as prequelas fossem apenas e só defeitos – deixaram-nos ter um vislumbre do que era a Ordem dos Cavaleiros Jedi no auge do seu poder, mostraram-nos a origem de Darth Vader e o porquê de ser a personagem que é e como é (mesmo com o grande problema que é Hayden Christensen), a espectacularidade das cenas de acção (dos duelos de sabre de luz até  às épicas batalhas espaciais)… Mas, ao mesmo tempo, temos aquele vazio inultrapassável… A falta de história, de apelo emocional, todos aqueles pequenos pormenores que contribuíram para tornar a trilogia de prequelas uma coisa seca e distante, longe do “calor” e da proximidade da trilogia original.

Felizmente, Abrams consegue recuperar tudo o que Lucas deixou para trás. No Episódio VII voltámos aos efeitos “práticos”, que existem e estão mesmo lá. As criaturas criadas pela animatrónica são surpreendentemente realistas e estão lá. BB-8, a nova coqueluche andróide, existe mesmo (e que bem feito está, este pequeno rolamento, o novo R2-D2!). No tempo de Lucas, toda esta magia seria artificial, uma criação de computadores, sem sentimento. Existem muitas cenas feitas com recurso à animação por computadores e, certamente, existiram cenas que foram gravadas em frente a ecrãs verdes ou azuis, e existem criaturas criadas inteiramente por computador (felizmente nenhuma é tão ridícula como Jar-Jar Binks…).
É por aqui que este novo filme de Abrams começa a triunfar – o regresso às origens no que diz respeito aos meios utilizados para contar a história. Os actores interagem entre eles e com o ambiente e as criaturas do filme de foram real (e realista!)  – estão a contracenar com algo que existe mesmo e não foi criado nas entranhas de algum computador.

Abrams ressuscista o universo de Star Wars, sem haver a necessidade de criar toda uma nova continuidade – à semelhança do que fez com Star Trek, criando personagens novas (Rey, Finn e o badass Kylo Ren são os melhores exemplo) e trazendo de volta favoritos de sempre (Han Solo, Leia e Chewie) e criando, entre todas elas uma série de relações que levam a um conjunto de descobertas chocantes – de deixar qualquer um de queixo no chão. E quando digo chocantes, posso dizer que estão – claramente – ao nível de “Luke, I am your father”.

O Episódio VII é um filme triunfal – para quem adora Star Wars é o regresso aos “eixos” da saga. Sem cometer nenhum dos erros (ou pecados capitais!) que Lucas cometeu na trilogia de prequelas. Para quem não conhece ou não gosta será um bom ponto de partida para apanhar o “bichinho”.

Obrigado ao Sr. J. J. Abrams e à Disney. Cinco estrelas. Imperdível.
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Paris, 13 de Novembro de 2015

14 Novembro 2015

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Não sou hipócrita, nem nunca o fui. Se temos que pensar nas vítimas do Daesh, em Paris, temos também que pensar nos milhares, senão milhões, de vítimas da mesma organização terrorista, em todo o mundo árabe (e não só).

Por mais que se queiram convencer a vocês mesmos de que o Islão é todo “assim” – um conjunto de bárbaros, intolerantes, assassinos – lembrem-se que não é bem assim. Há países que levam os ensinamentos do Corão ao extremo, sim, a Arábia Saudita e o Irão são dois exemplos (e nada justifica os abusos cometidos , supostamente, em nome da religião) mas nada é remotamente comparável à monstruosidade de uma organização que, em nome de um suposto califado e de Alá, violenta, mata e tortura milhões de pessoas. Sendo que são os muçulmanos (das diferentes etnias) o primeiro, e preferncial, alvo destes monstros inumanos.

O que estes atentados pretendem é castigar os refugiados (por serem muçulmanos traidores, que fugiram do território do califado), virar a opinião pública europeia contra os refugiados (por serem, na sua vasta maioria, muçulmanos, os menos iluminados – já para não dizer ignorantes – transformam esse facto automaticamente numa, fictícia, associação vitalícia ao Daesh) e, em resultado destes dois factores, conseguir mais recrutas para as fileiras do Daesh.

É hediondo. É resultado do desespero de uma organização que, tal como grande parte das organizações extermistas islâmicas, distorce o Islão e os ensinamentos do Corão da forma que mais se assemelha às suas, supostas, “crenças”, ao mesmo tempo que, passo a passo, vão quebrando toda e qualquer regra que a religião lhes impõe. O Islão é uma religião de paz e respeito pelo próximo e pela diferença – coisa que os extremistas muçulmanos ignoram, alegremente. Impõe regras estritas no que diz respeito, por exemplo, ao consumo de álcool e utilização de drogas – a principal fonte de rendimento de grande parte das organizações extremistas islâmicas é o tráfico de drogas.

Reproduzo aqui uma nota que foi escrita no Facebook, por João Pedro Martins, porque, melhor que ninguém, com factos e fontes, consegue justificar o que quero dizer com este post:

Atentado de Paris: Não vamos servir os interesses do Estado Islâmico.
JOÃO PEDRO MARTINS·SÁBADO, 14 DE NOVEMBRO DE 2015

Caso se confirme que o Estado Islâmico orquestrou este atentado simultâneo em vários pontos da capital francesa, neste momento é preciso reconhecer que os interesses do Estado Islâmico são os seguintes:
1. Estimular o medo entre as populações, razão número um para qualquer ataque terrorista;
2. Estimular um ódio e medo contra os muçulmanos, porque esperam que o aumento de ataques de ódio contra muçulmanos e a redução da hospitalidade europeia irá aumentar o número de potenciais recrutas dispostos a juntar-se ao Estado Islâmico por estarem insatisfeitos com a sua situação e tratamento recebido pela restante população europeia; Fonte
3. Estimular o ódio aos refugiados. O Estado Islâmico já disse que não está satisfeito com a fuga dos refugiados, que são vistos como muçulmanos traidores que não querem viver sob o seu controlo, pessoas que rejeitaram viver na sua comunidade extremista. O Estado Islâmico, como tal, terá um interesse em juntar o útil ao agradável e alimentar um ódio anti-refugiados, pela mesma razão do ponto anterior e como castigo pela fuga da Síria;
4. Querem travar a fuga de pessoas da Síria porque ela prejudica as finanças do Estado Islâmico, uma vez que ficam com menos pessoas para escravizar e explorar devido à drástica redução demográfica (redução da população). Com efeito, se conseguirem aumentar a dificuldade com que a Europa aceita refugiados, o Estado Islâmico obtém outro dos seus objectivos. O Estado Islâmico tem vindo a interceptar e a matar centenas ou mesmo milhares de pessoas que são apanhadas a tentar fugir da Síria;
Fonte 1; Fonte 2
Posto isto, convém lembrar que, usando a navalha de occam, é idiota e completamente desnecessário culpar os refugiados (que fogem dos extremistas), não só porque isso é o que o Estado Islâmico deseja, mas também porque é ilógico: a rota de refugiados é extremamente degradante, difícil, e muitos deles morrem a caminho da Europa, afogados no mar mediterrâneo, implica dormir ao relento, com pouco mais que as roupas que têm no corpo, com os filhos ao colo, etc. Há outras formas de lançar ataques terroristas que não exigem todas essas dificuldades acrescidas, completamente desnecessárias. Tanto assim é que os anteriores terroristas até ao momento não eram refugiados, nunca precisaram de ser e os factos são claros que a rota de jihadistas tem sido a inversa: os recrutas Europeus é que vão para a Síria combater ou lançam ataques em solo europeu, não o inverso. Fonte
Para finalizar: lembro ainda que cair como patinhos/as em leituras superficiais e emocionaiss como estas estaríamos não só a ajudar o Estado Islâmico como também a alimentar os discursos da extrema-direita. É uma terrível falha a todos os níveis, com tudo a perder.
Recomendo ainda a seguinte nota, onde é feita uma desconstrução de vários argumentos anti-refugiados.

Da democracia

10 Novembro 2015
brecht
Preocupa-me ver tanta gente que conheço, que tinha por culta e minimamente inteligente, por esse Facebook fora a acusar, por outras palavras, os partidos à esquerda de golpe de Estado, de quererem tudo (e, em consequência, estarem condenados a perderem tudo), “vamos ver quanto tempo duramos até termos cá a troika de novo”, “venha a república das bananas”, etc e tal.
Certo.
Porque vivermos sob um regime pseudo-democrático, em que o que conta são os mercados e os compromissos internacionais e não o que o Zé Povinho precisa, é muito melhor!
Vivermos num país em que os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos estão cada vez mais ricos, é muito melhor!
Vivermos num país em que muitos serviços e empresas públicos, a saúde e a educação públicas e outros sectores estratégicos, estão a cair, um por um e (muitos) às escondidas e em negócios duvidosos (para ser simpático), em mãos de privados (muitos deles estrangeiros), é muito melhor!
O tal “golpe de estado” que muita gente (toda a direita e todo o capital!) proclama aos sete ventos, não tem nada de anti-democrático. Pelo contrário, é a democracia a funcionar. O PSD e o CDS, que agora tanto se insurgem contra este entendimento à esquerda, apresentaram uma moção de rejeição a um governo do PS que tinha 115 deputados – ficou a apenas um da maioria absoluta. E o PS foi às urnas sozinho, sem coligações, e conseguiu mais deputados que os partidos de direita, coligados – 107.
Formalmente, a coligação ganhou as eleições e foi indigitada para formar governo pelo Sr. Silva. Democraticamente, foi rejeitado o seu programa na Assembleia da República.
E só tenho pena que o acordo seja apenas de incidência parlamentar e para os 4 anos da legislatura. Porque era bom ver membros do PC e do Bloco a ocuparem lugares no Governo. Faz lá falta gente honesta.
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